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O Cão de Gado Transmontano

 » HISTÓRIA

Ao longo dos séculos, as tribos errantes da Ásia, deslocaram-se de oriente para ocidente, estabelecendo novas tribos e rebanhos que eram acompanhados pelos mastins de guarda e protecção. Estes cães partindo de um tronco comum, adquiriram e mantiveram características próprias que hoje permitem diferencia-los de região para região. A história de todos os mastins de rebanhos europeus e ibéricos está assim interligada, sendo possível encontrar uma origem comum a todas as variantes raciais adaptadas localmente.

Na Península Ibérica existem, há cerca de 4000 anos, tribos que assentavam na pastorícia a sua fonte de subsistência. Na defesa dos rebanhos contra outras tribos e predadores utilizavam cães de grande porte e valentia, trazidos da Ásia menor. As deslocações temporárias dos rebanhos na Península Ibérica (Transumância) conforme as estações do ano, levou à dispersão e ficção desses cães nas várias regiões, criando raças diferentes se as regiões eram distintas, bem delimitadas e isoladas por grandes rios ou montanhas inóspitas.

A origem do Cão de Gado Transmontano está ligada à origem dos restantes mastins portugueses, apresentando, até, algumas semelhanças com o Cão Serra da Estrela pelo curto e com o Rafeiro do Alentejo.

As regiões de Trás-os-Montes, Serra da Estrela e Alentejo são caracterizadas por um clima austero do tipo continental (nove meses de inverno e três de inferno). É natural que em climas semelhantes e em regiões próximas estes três tipos de mastins portugueses fossem evoluindo com características muito parecidas.

As diferenças morfológicas e funcionais das três raças devem-se ao tipo de relevo e à presença ou não de predadores (lobo) nas suas regiões. Em Trás-os-Montes e na Serra das Estrela fixaram-se cães de grande porte e valentes, com uma maior agilidade, leveza e desenvoltura, porque as acidentadas paisagens e o lobo assim o determinam, outros igualmente de grande porte e valentes, mais pesados e de forte presença estabeleceram-se no Alentejo.

Nas décadas de 70 e 80 devido á diminuição drástica do número de lobos e devido ao abandono da pastorícia de grande parte das gentes de Trás-os-Montes, que nesta altura migrava para o litoral do país ou para o estrangeiro á procura de melhores possibilidades de vida, o Cão de Gado Transmontano deixa de ser útil e cai no esquecimento ficando perto da extinção.

Da conservação do lobo ao reconhecimento de uma raça

Em Portugal o Lobo é considerado espécie em vias de extinção desde 1988. A partir dessa data o lobo deixa de ser perseguido e para a maioria dos transmontanos passa até a ser um símbolo da conservação da natureza.

A gestão e conservação de populações de lobo é sempre uma tarefa difícil, sobretudo quando estas existem em meios muito humanizados. Apesar de não atacar o homem, o lobo é um predador que gera conflitos essencialmente pelos ataques, mais ou menos regulares, que fazem a animais domésticos, produzindo estragos, por vezes, elevados. Reconhecendo que é impossível eliminar os lobos que causam prejuízos, Portugal, em 1990, desenvolve um mecanismo e visa resolver de forma eficaz os conflitos gerados pelo lobo. Este mecanismo baseia-se no pagamento, por parte das entidades estatais, dos prejuízos provocados pelo lobo. Este método trouxe os seus resultados, mas não era totalmente eficaz devido à demora de todo o processo.

Foi então que no decorrer de vários trabalhos realizados pelo Instituto da Conservação da Natureza (ICN) no nordeste de Trás-os-Montes, no âmbito da conservação do lobo, observou-se que a existência de cães de grande porte era bastante frequente em algumas zonas, e que estes estavam na origem da ausência ou diminuição de ataques a alguns rebanhos. Rebanhos contíguos a estes, e que não tinham destes cães eram frequentemente atacados.

Desta forma, em 1994, deu-se inicio ao programa que levou ao reconhecimento da raça Cão de Gado Transmontano. Numa primeira fase foi feito um levantamento dos cães existentes e das cadelas que poderiam fornecer ninhadas. De seguida fez-se o levantamento dos proprietários interessados em ter cães deste tipo nos seus rebanhos, elaborando uma lista de espera. Embora o Programa Cão de Gado Transmontano tenha sofrido várias melhorias, este processou-se, mais ou menos desde o inicio, da seguinte forma. Nos primeiros dias o pastor dá conhecimento do nascimento da ninhada e aí inicia-se o fornecimento gratuito de ração para a cadela e ninhada. Faz também parte do programa a desparasitação dos cachorros a cada 15 dias, assim como a sua vacinação e micro-chipagem às 8 semanas. Com 10 semanas de idade os cachorros são entregues aos novos proprietários e duas semanas mais tarde dá-se o reforço da vacina. Este é o último passo do programa, embora os cães sejam permanentemente acompanhados pelos responsáveis do programa. Em caso do abandono da pastorícia por parte do proprietário, o cão é devolvido ao programa e reconduzido para um novo rebanho.

Desde o inicio do Programa de Cão de Gado Transmontano os ataques de lobo, na zona do nordeste trasmontano diminuíram de 450 para 200 por ano, embora as alcateias se mantenham estáveis, e o valor das indemnizações pagas devido a ataques de lobos caíram de 70000€ para 20000€.

Ao mesmo tempo que este programa ia sendo implementado, deu-se início a concursos de Cão de Gado Transmontano para melhor divulgar, entre pastores, as características da raça e a sua utilidade. O primeiro concurso teve lugar um 1996 e contou com 20 participantes, em 1998 eram já 70 participantes, tendo-se mantido até á data na ordem dos 60/70 cães por concurso.

É desta forma que o Parque Natural do Montesinho, ao aplicar uma simples medida de colocação de cães de guarda em rebanhos, para a conservação do lobo, contribui para que no dia 5 de Abril de 2004 o Cão de Gado Transmontano fosse reconhecido como a nona raça de cães Portuguesa.

 » TEMPERAMENTO

O Cão de Gado transmontano gosta de viver a sua vida em liberdade, foi um cão que desde sempre foi livre de correr os montes atrás das ovelhas num permanente exercício físico e em constante função de vigia contra os perigos que ameaçam o rebanho, muitas vezes cobrindo grandes distâncias num só dia. Cedo aprendem a valerem-se por si próprios, a tomar decisões importantes sem ajuda.

Mesmo que as condições de vida mudem, que o campo aberto seja trocado por um quintal ou um jardim duma vivenda é bom nunca esquecer que este cachorro tem esta herança genética bem presente e que é naturalmente curioso, desconfiado e independente. Como bom guardião que é sabe instintivamente marcar o território que lhe pertence. É importante ter sempre em mente que ele pensa que o seu espaço, por mais pequeno que seja, é mesmo só dele, está a sua guarda e que quem tem a missão de lá mandar é ele. Não é portanto de admirar que o carácter destes cães seja marcado pela necessidade de serem independentes e auto-suficientes e que o seu temperamento seja dominante.

Estes cães são muito possessivos e ciumentos, portanto desde muito cedo devem-se corrigir esses comportamentos. É importante frisar que este cão no seu “estado natural” tinha que lutar pela sua refeição e protege-la dos outros cães, porque aí a lei do mais forte imperava. Estas características devem ser tomadas muito em conta,  o dono deve ser um dono presente e com uma voz firme, para que mais tarde não venha a ter problemas.

Nesta raça existe uma grande diferença entre machos e fêmeas, não só no tamanho e corpulência mas também no carácter. Os machos são mais fogosos e rebeldes, é fácil vê-los desde muito cedo a deitarem outros cães e a ficarem por cima deles em atitude de dominância. Com as fêmeas eles obrigam-nas a ser submissas, tornando-se estas por vezes monógamas. As fêmeas, embora sem deixar de manifestar todas as características da raça, tendem a ser mais dóceis e meigas.

Desde sempre o Cão de Gado Transmontano vive em áreas bastante humanizadas, em que é frequente o encontro com pessoas. A frequência destes encontros é de tal maneira elevada que seria impossível para qualquer pastor possuir cães que fossem agressivos a ponto de morder alguém. Certamente, por esta razão, terá havido, ao longo dos tempos, uma selecção em que os cães que demonstrassem agressividade para as pessoas, a ponto de morder, tivessem sido progressivamente eliminados. Ainda hoje, quando um cão tem tendência a ser agressivo para com as pessoas, o pastor procura desfazer-se dele. Estes encontros entre Cães de Gado e pessoas embora não sejam de todo agradáveis, principalmente pelo tamanho dos cães, não vão além de uns latidos de aviso. Assim, parece ser plausível que tenha sido o meio onde se inserem que terá levado a que estes cães se imponham aos estranhos mais pela sua presença imponente, e não tanto pela agressividade, e que, depois de ultrapassada a barreira imposta pelo seu temperamento reservado, se tornem dóceis e bastante meigos.

Com o dono e crianças estes cães são extremamente dóceis e pacientes. Eles passavam grande parte da sua vida com o dono, entre vales e colinas do nordeste Transmontano onde por vezes a única refeição do dia era um pedaço de pão que o dono dividia com os seus cães.

Para além da alimentação que deve ser equilibrada o cachorro Cão de Gado precisa de fazer muito exercício. Desde pequeno alterna horas de sono com longas caminhadas e loucas correrias. É um desportista por natureza que se exercita naturalmente. Basta observar a leveza dos seus passos a agilidade do seu trote e o impulso do seu galope para nos darmos conta que estamos á frente de um “todo o terreno” capaz de bater o monte um dia inteiro sem se cansar. Parece quase inconcebível que um animal com tanta corpulência e tamanho possa ser tão ligeiro de movimentos! Mas lá vai ele, cauda no ar e trote cadenciado atrás do rebanho o dia inteiro sem se cansar. É bom saber que o cachorro que temos em casa vai ser capaz de pular no ar às quatro patas sem esforço e galgar um muro alto sem tomar impulso! É importante ensinar-lhe os limites do seu horizonte.

O Cão de Gado Transmontano é, entre todas as raças portuguesas, a que atinge maior tamanho e também a mais rústica. É a raça que ainda conserva a sua funcionalidade e que até a data teve menos interferência humana na sua selecção.

No nordeste transmontano ela existe e é preservada exclusivamente pela sua utilidade na defesa do rebanho e pela sua valentia frente ao ataque do lobo.

Quem procura um cão de guarda que pode ser deixado numa quinta sem contacto humano, ou mesmo preso, tem certamente outras, e melhores, escolhas entre o grande número de raças caninas assim ditas de "guarda".

Este cão tem de ter uma missão a cumprir e um "pastor" para o orientar, necessita de espaço para crescer e duma mão firme para o ensinar.

Não é um cão para toda a gente, e não é certamente um cão adaptado a viver num apartamento urbano

Integrado num espaço adequado às suas necessidades e ultrapassadas algumas condicionantes, este cão transforma-se no companheiro que sempre desejamos, pronto a defender com a vida os bens e as pessoas à sua guarda.